“No palco a intimidade musical de pai e filho: o encontro de dois músicos intuitivos criando uma linguagem peculiar e até familiar. Dois artistas de alma brasileira com o dom de musicar o encontro. Duas gerações de muito som, trocando harmonias, ritmos, solos, improvisos, composições e parcerias. Juntos apresentarão composições dos dois, além de temas criados no momento, em um encontro de música espontânea.
O show terá como ponto de partida a sintonia, a cumplicidade e o bom gosto musical, além de ter como finalidade o prazer de fazer e ouvir música. Será composto de belas harmonias, empolgante ritmo e improvisos inusitados, com incrível bom gosto harmônico e espetacular criatividade, características marcantes de Arismar e Thiago.
Irão se apresentar com violões de 6 e 7 cordas, baixos e guitarras. Será sem dúvida uma oportunidade única para os apreciadores da boa música.
ARISMAR DO ESPÍRITO SANTO.
Multi-instrumentista, arranjador e compositor reconhecido como músico completo, pela fluência com que toca contrabaixo, guitarra, violão, piano e bateria. Sua maneira de tocar e compor, harmonias inusitadas, o ritmo e a criatividade têm sido sua marca registrada. Foi eleito pela Revista Guitar Player, um dos dez melhores guitarristas/violonistas do Brasil. Durante mais de 30 anos de carreira atuou em shows e gravações ao lado grandes representantes da música universal: Hermeto Pascoal, César Camargo Mariano, Raul de Souza, George Benson, Dory Caymmi, Paquito D’Rivera, João Donato, Leny Andrade, Toninho Horta, Banda Mantiqueira, Naná Vasconcelos, Liliana Herrero, Trio Fattoruso, entre inúmeros outros. Tem participado de várias turnês internacionais: com o Hermeto Pascoal Trio esteve em sete países da Europa; apresentou-se no Blue Note de Tokio e Fokuoka, no Umbria Jazz Festival, em Portugal (Expo 98), em Paris como solista do Projeto Pixinguinha e como diretor musical da Caravana do Estado de Tocantins (ano Brasil França), nos EUA ministrando Master Classes e apresentando concertos em circuito universitário (Trinity College, Rhode Island College, Wheeler School Providence, University of Hartford, Real Art Ways, Newigton Public Library), na Argentina e Uruguai como representante brasileiro do Projeto Veredas Del Sur e na Dinamarca ministrando Master Classes. Tem assinado e dirigido vários Projetos Musicais: “Cordas à Solta”, “Alô Bateria”, “Canção sem Fronteiras”, “Grandes Encontros: Tributo à Delicadeza”, “Som da Cidade”, “Bossa: um tributo Paulista”, “Chorando Baixo”, “Encontro das Águas”, entre outros.
THIAGO ESPÍRITO SANTO
Thiago, o contrabaixo não é mais da turma da “cozinha”?
Cresci ouvindo e observando o contrabaixo com um amor único, talvez por ser filho de músicos, sei lá... Sempre falaram pra mim que “o baixo tem que acompanhar, fazer o centro do som”. Sem dúvida, isso é muito importante, porém alguns músicos me fizeram enxergar que o baixo não é só centro, ele é centroavante, jogando pelas pontas da melodia, brincando com o ritmo, dando aquele sabor que o tempero traz à mesa. E, agora, trago humildemente um contrabaixo para diversos paladares, com aquele tempero caseiro que é apaixonado pela cozinha brasileira e internacional.
Que influências fizeram você enxergar isso?
Sempre fui apaixonado por música. Dormia e acordava ouvindo som. Cresci vendo shows e fui me influenciando por muitos músicos de todos os instrumentos; sem dúvida, “maestros”. Para mim, todos geniais. Porém, as minhas influências principais são caseiras: Silvia Góes (a mãe sempre me incentivou e foi fundamental para essa liberdade que tenho hoje em relação à música; ela me criou mostrando que, na música, o que importa é o som que ela nos traz, sem rótulos, e isso aumentou meu interesse por ser uma coisa natural, sem termos técnicos, que atrapalham muito no início da formação de qualquer músico) e Arismar do Espírito Santo (o pai sempre foi figura, meu parceiro de vida, me levava pra todos os cantos pra ver som, dar canjas, dando a maior força e espaço pra eu poder crescer e caminhar com minhas próprias pernas).
Os parceiros, à noite, as viagens em turnê. De que é feito um músico?
Muitos sonham em trabalhar em estúdios, cair na estrada, fazer turnês, mas todos os músicos sabem o quanto é necessário estudar e tocar para atingir o seu próprio objetivo.
Existe uma expressão no meio musical que é o “baile”. Você precisa ter horas de vôo pra pilotar um modelo “X” de avião, e, para sair tocando qualquer música, também tem que ter horas de baile. É importante tocar em rodas, dar canjas com músicos de diversos estilos para aprender a se virar ao vivo. Ou você toca ou toca, sabe como é? Na estrada, temos a oportunidade de conviver e realmente conhecer as pessoas com quem trabalhamos, criando afinidade, respeito pessoal, musical... E desses encontros surgem muitas parcerias e parceiros. É muito bom, uma escola maravilhosa!
Nessas horas, faz diferença ser brasileiro?
Acredito que sim. Somos bem-humorados e lidamos bem com muitas situações. É o bom e velho jeitinho brasileiro. Mas o importante é a musicalidade à flor da pele que nosso povo tem. É uma coisa impressionante, tem uma força que move multidões e, quando você menos espera, já está no meio da bagunça, tocando, dançando, sendo brasileiro. Bão também!
Ser um virtuose no instrumento ajuda ou atrapalha o compositor?
Sempre tento separar o lado virtuose na hora de compor uma música, mas a influência quase sempre estará presente nas composições. Para compor, acho melhor pensar com o coração, a música tem que ter melodia, se comunicar, e às vezes a virtuose atropela toda essa idéia melódica, ou seja, é preciso saber dosar esse lado virtuoso do compositor, separar as idéias e sentir a música para que todos possam sentir o mesmo ao escutá-la.
O público, o grande público, está hoje mais preparado para perceber e valorizar a performance de um baixista? Ou isso ainda parece ser assunto de músicos?
Sem dúvida! Eu acredito que o instrumento sempre esteve presente nos ouvidos do público, mas os instrumentistas não estavam! Tem que tocar com o coração aberto, não jogar nota fora, e, sim, tocá-las para as pessoas que estão ali escutando, demonstrar respeito com o público. Não adianta ser um virtuose se você não consegue passar algo com sua música. O público tem muito pra ensinar aos músicos e os músicos têm muito que aprender com o público.
Há projetos seus pensados nessa direção?
Sim. Aprendi muito com esses anos de estrada. Comecei a estudar com 13 anos e hoje tenho 25 anos, e essa bagagem que trago me influencia muito na hora de tocar. Aprendi muito com o público, que me recebeu sempre de braços abertos e me deu atenção. Sou muito grato e a melhor maneira de agradecer era realizar um trabalho solo, com a minha cara. Daí surgiu o meu primeiro CD, Thiago Espírito Santo, trazendo essa idéia do baixista como um solista/acompanhante, tocando com carisma, fazendo valer cada nota, cada gota do suor que me faz transpirar música. Fiz esse disco de coração aberto pra chegar mais perto das pessoas. Essa é a direção do som: o ouvido e o coração.
Um gato e um cachorro vão receber um contrabaixo ou uma guitarra. Por seus temperamentos, cada qual toca o quê? Por quê?
A pergunta é boa, mas se for falar dos guitarristas vou arrumar confusão!!!
Mas o gato fica com o baixo e o cachorro, com a guitarra.