De hoje a 30 de setembro, o público de Brasília poderá assistir a 36 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, produzidos no Brasil e em mais 16 países. Em exibição no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), as produções formam um painel sobre deficiência e inserção social. “É importante deixar claro que não são filmes didáticos, feitos para dar lições. Mas, como trazem histórias de vida incríveis, acabam tocando o espectador”, ressalta Lara Pozzobon, curadora do circuito com o diretor Gustavo Acioly.
Além das sessões de cinema, haverá bate-papos nas quartas e quintas-feiras com pessoas com deficiência e especialistas no tema. Entre os convidados, estão Mónica Chirife, o marido e a filha do casal, Maria Victoria, de 17 anos. O trio vai participar do debate Família e independência, marcado para a próxima quinta, após a exibição do Madres con Ruedas, às 18h30.
Realizada ao longo de quase duas décadas, a fita mostra a trajetória de mulheres cadeirantes que realizaram o sonho de ser mãe. Entre elas, a própria diretora. Protagonista da obra, ela desnuda sua vida antes e após a chegada da filha. E entrevista as personagens quando a maternidade ainda é um desejo e, anos depois, acompanhadas pelos filhos já adolescentes. “É sensível, inteligente e filosófico”, opina Lara, lembrando que a produção argentina foi eleita pelo público, no Assim Vivemos do Rio de Janeiro, a melhor da programação. Na capital carioca, o festival ocorreu entre 7 e 19 de agosto.
Inserção
A acessibilidade não é apenas um dos assuntos abordados no evento. Em todas as exibições, pessoas cegas poderão assistir aos filmes por meio de um sistema eletrônico. Dois atores interpretam os diálogos, transmitidos por fones. Outra preocupação diz respeito aos catálogos, contendo as sinopses, confeccionados também em braile.
Para os espectadores com deficiência auditiva, a organização disponibilizou legendas que, além dos diálogos, descrevem os ruídos. Haverá ainda tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (LIBRA) durante os debates. “A idéia do festival é aproximar as pessoas. Tanto os parentes que tratam quem tem deficiência de maneira reservada, quanto aquelas cuja relação com o assunto é inexistente. Considerando a limitação de cada um, todos com deficiência têm uma capacidade enorme”, conclui Lara.
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