O documentário será submetido a um teste de audiência nesta terça-feira no Teatro da Caixa. A avaliação, normalmente, é feita quando os filmes estão no processo final de edição. É uma prévia da reação do público. Um teste para ver se a mensagem está bem clara. “O recurso ajuda muito na estratégia de lançamento da produção. Após a exibição, passamos um questionário para cada um dar sua opinião. São quesitos que abordam desde a trilha sonora até a atuação dos atores”, afirmou Renato Barbieri, curador do projeto Teste de Audiência. Segundo ele, não necessariamente um diretor muda completamente o rumo da montagem em função dos resultados. “Mas eles se sensibilizam”, reconheceu.
Filhos de João será testado apenas em Brasília antes de seu lançamento.“ A capital é uma importante praça para fazermos este tipo de avaliação. A cidade possui um alto índice de ocupação nas salas de cinema. Ou seja, as pessoas têm um bom conhecimento audiovisual. A composição da platéia também é importante. São integrantes de culturas bem diferentes. Com isso, conseguimos resultados mais precisos”. Mas, segundo o diretor Henrique Dantas, mesmo com o teste de audiência, o filme não será mais alterado. “Será realmente para trabalhar a divulgação do documentário”.
Henrique Danta conta que trabalha no filme há cerca de quatro anos. “É uma colcha de retalhos”, definiu o diretor. Foram reunidas imagens inéditas dos artistas, cedidas de arquivos pessoais. “A narrativa não segue uma linha cronológica. É um retrato dos anos 70”. Já a trilha é bem animada. Ao todo foram escolhidas 40 músicas, “29 dos Novos Baianos e 11 de compositores importantes da época, como os tropicalistas”. Outra marca é a forte opção por câmera na mão e quadros fechados. “Transmite um pouco o clima improvisado da época”. Já a fotografia peca pelo baixo orçamento. “Teve uma entrevista com a Baby onde tivemos que colocá-la debaixo de um poste e usamos um refletor para montar toda a iluminação”, revela Henrique.
O documentário conta com depoimentos dos baianos Moraes Moreira, Galvão, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor, Dadi, Jorginho Gomes, Gato Feliz, Bola Moraes e Charles Negrita, além das participações de Tom Zé, Orlando Sena, Rogério Duarte. “Era uma época muito louca. Nós chegamos a desmoralizar o dinheiro. Um pecado muito grande. Na época, nós não guardamos o dinheiro no banco. Imagina! Eu abri um buraco atrás da parede do meu quarto e colocávamos tudo lá. Só para usar quando necessário”, lembra Galvão. Segundo ele, o trabalho realmente mostra a proposta inicial do grupo. “De fato, os tropicalista tiveram uma grande influência no nosso trabalho, mas foi João Gilberto que nos trouxe de volta para casa. Depois dele, deixamos de tocar apenas rock para mergulhar na MPB”. Galvão, ao contrário de Henrique, conheceu João Gilberto.
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